Ana Sofia Silva

Como tirar o maior proveito das plantas

Por Ana Sofia Silva em Julho de 2021

Tema Saúde / Publicado na revista Nº 21
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Venha conhecer as preparações galénicas mais utilizadas no dia-a-dia

Desde sempre, que o homem procurou formas de combater a doença e estados que o atormentavam. No Paleolítico iniciou-se com certeza através da utilização de plantas, derivados de animais e minerais para fins curativos.

Ao longo dos tempos, foram muitos os que contribuíram para o vasto conhecimento que temos hoje disponível e que podemos utilizar no nosso dia-a-dia na prevenção ou tratamento de patologias.

Uma das referências na história é Galeno, médico grego, que nasceu no século II d.C., e que foi uma grande personalidade da sua época. Uma das suas grandes obras é De methodo Medendi (A Arte de Curar), onde desenvolve assuntos como as propriedades e a composição dos medicamentos simples e compostos, tendo por base a doutrina hipocrática. Descreveu nas suas obras a importância da correta prescrição, o modo de administração, a quantidade necessária do princípio ativo para exercer efeito terapêutico e a duração do tratamento. A evolução de todo o conhecimento terapêutico que Galeno ofereceu fez com que este fosse intitulado como o “Pai da Farmácia”. Foi ele quem sistematizou pela primeira vez as matérias-primas necessárias à preparação dos medicamentos e a sua preparação como nunca tinha sido feita. Descreveu perto de 500 fármacos vegetais e outros de natureza animal e mineral, tendo estudado as suas propriedades terapêuticas, classificando-os e sistematizando-os.

Daí as chamadas “preparações galénicas”, ou seja, todas as formas de utilizar as plantas para extração dos seus princípios ativos, tais como: infusão, decocção (também conhecido por cozimento), tintura, maceração, etc.

Hoje, através deste artigo, venho dar a conhecer melhor a infusão, a decocção e a maceração, pois são as preparações mais utilizadas e muito fáceis de elaborar para que possa em casa tirar o melhor proveito das plantas no seu autocuidado diário.


1. A infusão prepara-se com a colocação de água a ferver sobre uma ou mais plantas, sendo as partes mais utilizadas as folhas, flores ou partes aéreas floridas. Deixa-se atuar 5 a 15 minutos, côa-se e está pronta a beber. Esta é uma das formas mais antiga, mas ainda hoje muito usada na fitoterapia popular.

 Sugiro como exemplo: uma infusão de hortelã-pimenta (Mentha x piperita L.). Esta tem propriedades excelentes quer no aparelho respiratório com ação mucolítica, expetorante e descongestionante das vias aéreas, quer no aparelho digestivo, como espasmolítico, carminativo, digestivo e colerético.

2. A decocção, também muito conhecida por cozimento, deve ser preparada por fervura, ou seja, a parte da planta vai a ferver junto com a água cerca de 10 a 15 minutos.

Normalmente aqui as partes mais utilizadas são os caules, cascas e raízes. Neste caso temos como exemplo: o gengibre (Zingiber officinale Roscoe) muito utilizado nos resfriados e no combate aos enjoos. Uma outra sugestão é o alcaçuz (Glycyrrhiza glabra L) com excelentes propriedades anti-inflamatórias quer do aparelho respiratório quer gastrointestinal. De referir uma das principais precauções no uso do alcaçuz de forma continua - esta planta devido ao seu efeito mineralcorticoide vai elevar a tensão arterial. Aliás recomenda-se fazer tratamentos de uso descontínuo, ou seja, fazer pausas principalmente se o uso for através de suplementos.



3. A maceração é uma preparação líquida resultante de uma extração, que pode ser através de água ou gordura. Podemos preparar uma maceração colocando as partes da planta a utilizar num frasco limpo. Depois enche-se o frasco com o líquido que vai ajudar a extrair os princípios ativos, como por exemplo: o azeite. Obviamente temos muitas outras opções de gorduras vegetais, tais como: óleo de abacate, jojoba, onagra, sendo todos eles excelentes para a hidratação e regeneração da pele.  

O tempo de duração deste preparado pode ir até às 3 semanas, devendo ser agitado 1 vez ao dia. No final, coamos com uma gaze ou filtro de café para outro frasco, de preferência sempre escuro e colocamos uma pequena etiqueta com o tipo de maceração e data da preparação.

A título de exemplo, vou sugerir um simples, mas muito terapêutico, macerado de alfazema e calêndula com ótimas propriedades anti-inflamatórias, calmantes e regeneradoras para a pele, quer através de uma massagem, quer aplicado diretamente em zonas afetadas com dermatite, eczema, irritação, etc. No final podemos potenciar ainda mais este macerado com a adição de óleos essenciais para o efeito desejado.

Resumindo, existem várias formas de preparações galénicas, umas mais simples, outras mais complexas. Aqui relembro três ótimas sugestões (Infusão, decocção e maceração). Todas elas muito simples de se fazer no dia-a-dia e que nos auxilia na saúde e bem-estar.

Ana Sofia Silva

Fontes:

Proença da Cunha, A., Pereira da Silva, A., Rodrigues Roque, O. (2ª edição-2006). Plantas e produtos vegetais em fitoterapia. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkien

da farmácia tradicional à farmácia atual (ualg.pt)

catalogo_2exp.pdf (uc.pt)




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