Equipa de estudo em Métodos terapêuticos - Auriculoterapia

Auriculoterapia

Por Equipa de estudo em Métodos terapêuticos - Auriculoterapia em Dezembro 2020

Tema Saúde e Ciência / Publicado na revista Nº 18
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A terapia que veio da China e se aperfeiçoou no Ocidente - Da evidência empírica à evidência científica

INTRODUÇÃO

A Auriculoterapia é um dos microssistemas mais usados como terapia transversal a áreas do conhecimento em saúde designadas como Integrativas, complementares e alternativas. Sendo muito utilizada no tratamento de várias condições como o alívio da dor, o abuso de substâncias, ansiedade, obesidade, para melhorar a qualidade do sono e para o tratamento de epilepsia, a auriculoterapia tem os seus mecanismos de ação baseados no sistema nervoso autónomo, no sistema neuroendócrino, relacionados a respostas reflexas do sistema nervoso.

Conseguiu impor-se pelos resultados obtidos e por apresentar uma abordagem pouco invasiva, aplicável a qualquer individuo em qualquer faixa etária podendo ser usada enquanto tratamento isolado ou complementar a uma outra intervenção. Trata-se de uma terapia praticada há milhares de anos.

Consiste na estimulação de pontos do pavilhão auricular externo (na superfície da orelha) que apresentam uma ligação reflexa com diferentes partes do corpo, órgãos e sistemas fisiológicas e funcionais.

Utiliza métodos como a acupuntura , a sangria, sementes e esferas em pontos específicos da orelha cujo propósito é obter um estímulo reflexo benéfico relacionado com o problema de saúde ou doença apresentada.

Para compreendermos melhor a Auriculoterapia, podemos inicialmente comparar com o conhecimento que se sabe sobre a Reflexologia, sendo que no caso da Auriculoterapia, os Mecanismos de Ação são atualmente melhor explicados à luz do conhecimento ciêntifico.

HISTÓRIA

A história da Auriculoterapia está espalhada por todo o mundo com relatos que são feitos ao longo dos séculos, que vão desde o Extremo Oriente à Europa do século XX.

NO OCIDENTE

No mundo ocidental, desde a antiguidade, existem relatos do estímulo do pavilhão auricular para tratamentos diversos. O texto clássico mais antigo do mundo, o Papiro de Ebers, em 1.500 aC, já relacionava a cauterização do pavilhão auricular ou a colocação de agulhas com o tratamento de problemas ginecológicos.

Na antiga Grécia, Hipócrates (460-370 aC), considerado como “o Pai da medicina ocidental,  referiu que tirar umas gotas de sangue da orelha tratava problemas sexuais masculinos, como a  impotência e facilitava a ejaculação, assim como para aliviar dor nas pernas.

Utilizando métodos como a cauterização, a sangria e a punção com agulha, povos na Península Itálica e no Médio Oriente estimulavam a orelha para curar doenças.

No Império Romano existem também relatos de métodos para tratar ciática, dor na anca e doenças sexuais.

Entre 1600 e 1800, as trocas comerciais entre a Europa e a China foram além da seda, porcelana, chá e especiarias. Os médicos da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais ficaram impressionados com a eficácia das agulhas, moxabustão, cauterização e corte de veias na região posterior da orelha para o alívio da dor ciática e da anca.

Entre o século XVIII e o século XIX, a estimulação do pavilhão auricular para tratar dores foi proposto por vários médicos como o português Zacutus Lusitanus para a dor ciática. Também o italiano Antonio Maria Valsalva, em 1717, refere a descoberta de um ponto que quando cauterizado podia aliviar a dor de dentes. Já o professor Ignazio Colla , em 1810, fez uso do ferrão da abelha para aliviar a dor nos membros inferiores. Após 1850, a cauterização da orelha para extração dentária recebe vários relatos de casos importantes.

NO ORIENTE

No Oriente, o registo mais antigo é feito no Clássico de Medicina Interna do Imperador Amarelo, Huang Di Neijing. Escrito por médicos do Período dos Reinos Combatentes, entre 480-221 a.C., os capítulos 63 do Su Wen e no capítulo 20 do Ling Shu, descrevem técnicas para tratamento de dores nas costas e inconsciência com ligação à orelha. Outra relação importante deste livro liga o pavilhão auricular aos órgãos internos, assim como aos canais energéticos, estabelecendo assim, a importância desta zona corporal com o diagnóstico pela inspeção. Porém, os pontos não surgem organizados anatomicamente.

Sun SiMiao no livro Qian Jin Yao Fang (652 dC), descreve o uso de pontos auriculares para otratamento da icterícia. O uso de  sangria numa veia atrás da orelha para tratar a convulsão infantil ou na ponta da orelha para o tratamento de doenças oculares são descritos ao longo da história da auriculoterapia na China. Zhang DiShan dividiu a parte posterior da orelha em cinco regiões e relacionou cada uma delas aos principais órgãos e vísceras (ZangFu) e alterações nessas respectivas regiões poderiam ser relacionadas a cada um dos 5 órgãos  (Zang). Com base nesta divisão, Zhenjun Zhang, no seu livro Essential Techniques for Massage (Lizheng Anmo Yaosu) publicado em 1888, apresenta o primeiro mapa auricular com um desenho da face posterior da orelha mostrando áreas dos cinco órgãos Zang: Fígado, Coração, Baço, Pulmão e Rim.

a) Dr. Paul Nogier - Dr. Terry Oleson

b) Uso de agulhas

c) Uso de esferas/ sementes no Pavilhão auricular - Uso combinado de esferas, sementes e agulhas

SÉC. XX – UMA VIRAGEM HISTÓRICA REPRESENTA O PERÍODO DE APERFEIÇOAMENTO DA AURICULOTERAPIA NO MUNDO

UM CASO DE COOPERAÇÃO CHINA-OCIDENTE: DA CHINA AO OCIDENTE E “DEVOLVIDO” PARA O MUNDO GLOBAL COMO TÉCNICA E MÉTODO DE TRATAMENTO

No século XX, na Europa Moderna  que a auriculoterapia ganha notoriedade internacional, com os esforços do Dr. Paul Nogier que inicia uma série de estudos para entender os mecanismos de ação da auriculoterapia, e propõe o primeiro mapa que representava um feto invertido e onde descreveu a correspondência somatotópica na orelha, ou seja a correspondência das áreas do corpo com a localização precisa na superfície da orelha.

A AURICULOTERAPIA MODERNA DE PAUL NOGIER

Em 1957, o Dr. Paul Nogier, considerado por muitos como o pai da Auriculoterapia moderna, apresentou o conceito do “Feto Invertido” na orelha externa como forma de explicar a disposição dos pontos e a sua correspondência com os órgãos. O seu trabalho foi primeiramente publicado pela Sociedade Alemã de Acupuntura, depois no Japão e por fim distribuído por toda a China. Em 1958, a equipa de pesquisa do Nanjing Army Ear Acupuncture inicia um estudo massivo sobre os achados de Nogier.

Foram recrutados mais de 2.000 pacientes do exército de Nanjing para uma equipa de pesquisa de acupuntura auricular de forma a estabelecer um modelo de auriculoterapia e os seus resultados confirmaram as proposições de Nogier de 1958,

Como parte dos esforços de Mao Tse Tung para ocidentalizar a medicina chinesa foram ensinadas aos “médicos pés descalços” (Programa da política chinesa – 1968 - médicos camponeses com preparação intensiva e básica para atender a população rural na China) as técnicas da acupuntura auricular para que tratassem a população com esta terapia.

Em 1970, o médico HL Wen, de Hong Kong, conduziu o primeiro ensaio clínico usando a Auriculoterapia para a desintoxicação de ópium. Quase em simultâneo, em 1973, o americano Dr. Michael Smith, em Lincoln, aplicava a Auriculoterapia para tratar a adição de drogas, álcool e nicotina.

Em 1974, os doutores Paul Nogier, Bahr e René J. Bourdiol, elaboraram um mapa mais detalhado: “Loci Auriculomedicinae”, onde propõem detalhadamente a localização de pontos de acupuntura auriculares.

Em 1980, realizou-se o primeiro estudo em maior escala, pela Universidade da Califórnia em Los Angels (UCLA), pela equipa de Terry Olsen.

O RECONHECIMENTO INTERNACIONAL PELA OMS

Em 1982, o Escritório Regional do Pacífico Ocidental, Organização Mundial da Saúde (OMS), convocou uma conferência para se discutir como eliminar as diferenças de nomes e regiões duplicadas, sendo que em 1987, a OMS lançou um relatório intitulado “Esquema de Padronização de Acupontos Auriculares”. Posteriormente, pesquisadores chineses realizaram o processo de padronização, publicando em 1993 o documento final sobre a nomenclatura e a localização dos pontos de acupuntura auricular. Apesar de ainda se verificar que a utilização de pontos de acupuntura auricular na Europa ainda difere da prática chinesa,  deve destacar-se que os mapas chineses atuais correspondem fielmente aos mapas históricos de Nogier publicados inicialmente.

Estudos de Nogier influenciaram ainda a descoberta do sinal autónomo vascular que consistia na mudança da frequência do pulso na artéria radial, após estimulação da orelha, o fenómeno foi chamado inicialmente de “Reflexe Auriculocardiaque”.

VISÃO OCIDENTAL E VISÃO ORIENTAL

A Auriculoterapia possui assim duas linhas de pensamento e princípios, a escola francesa do Dr. Paul Nogier e a escola oriental da Medicina Tradicional Chinesa. Originalmente assente na prática da acupuntura da China Antiga, foi já na França moderna que se desenvolveram os pensamentos da correspondência somatotópica de determinadas partes do corpo a determinadas partes do pavilhão auricular. Dentro da filosofia oriental, a Auriculoterapia é explicada pela regulação da energia vital “Qi” que circula pelos meridianos e canais colaterais. Quando surge o desequilíbrio a pessoa torna-se frágil à doença e a Auriculoterapia é capaz de harmonizar esse fluxo energético aliviando os sintomas. A visão ocidental proposta por Paul Nogier assenta na observação pelo método científico, nos fundamentos da anatomia e fisiologia. São dois os sistemas somatotópicos que permitem os resultados da Auriculoterapia praticada atualmente na Europa. Um baseia-se nas fibras nervosas distribuídas pelo pavilhão auricular e trata-se de uma ação reflexa que atua sobretudo no alívio da dor. O segundo sistema, descoberto por Odile Auziech e Claudie Terral, da faculdade de medicina de Montepellier, revela que existem pontos cutâneos de reduzida resistência elétrica que corresponde a microformaçoes histológicas(celulares) designadas por complexos neuro vasculares. A estimulação destes complexos através de infravermelhos modifica a temperatura e a regulação térmica dos órgãos internos modificando assim a sua função.

O principal princípio da Auriculoterapia é a correspondência entre a cartografia do pavilhão auricular externo e as condições patológicas nas partes homólogas do corpo. Estes pontos surgem reativos apenas em situações de desequilíbrio físico ou funcional. Assim, esta técnica identifica de forma mais concreta áreas dolorosas no corpo do que as técnicas tradicionais da medicina chinesa de diagnóstico pelo pulso ou pela língua. Estas referências podem ser identificadas por áreas mais escurecidas, pálidas, descamadas, e os pontos auriculares patológicos possuem maior condutibilidade que outras áreas auriculares.

Quer a estimulação dos pontos reflexos auriculares quer a acupuntura sistémica mostram ser tratamentos eficazes.

MECANISMOS DE AÇÃO

Atualmente, existem vários estudos para perceber os mecanismos de ação da auriculoterapia. A justificação quanto aos seus efeitos parece não estar ligada apenas à penetração da agulha no pavilhão auricular externo, mas sim, à escolha dos pontos certos. É uma discussão extensa, mas quatro possíveis explicações são elucidadas:

(1) a Auriculoterapia atua por mecanismos diferentes da acupuntura sistémica;

(2) ação semelhante à da acupuntura, em que ativa meridianos, regulariza a função de órgãos, Qi (energia) e Xue (Sangue), com consequente normalização de trajetos dolorosos (Medicina Tradicional Chinesa);

(3) vias neuronais reflexas hipersensíveis conectam o microssistema auricular à região somatotópica corresponde no cérebro, que por meio da medula espinhal chega até a região dolorosa correspondente. Através da ativação da via inibitória descendente da dor do tronco cerebral ao longo do lado dorsal da medula espinhal, onde as células do corno dorsal estão localizadas, inibe a via ascendente da dor, os efeitos analgésicos da auriculoterapia são induzidos, aumentando a concentração de beta-endorfinas;;

(4) a auriculoterapia não depende de pontos específicos, mas sim da região estimulada. A quarta explicação advém dos estímulos na região da concha cava, inervada pelo nervo vago, ser capaz de induzir a estimulação parassimpática. É possível que a auriculoterapia funcione via mecanismo central de controlo da dor. No entanto, se a analgesia proporcionada é por pontos específicos ou região estimulada, permanece em discussão. O que se sabe é que o estímulo auricular é um método cientificamente validado, até mesmo por ressonância magnética funcional, não invasiva, de neuromodulação cerebral.

O PADRÃO DO FETO INVERTIDO NA REPRESENTAÇÃO DAS ÁREAS CORPORAIS CORRESPONDENTES

Tal como referido anteriormente, Paul Nogier criou o mapa do feto invertido, observando a sua semelhança com a orelha, sendo este mapa a referência mais amplamente usada para o diagnóstico e tratamento de doenças auriculares.

O lóbulo da orelha representa a cabeça e o cérebro, as conchas representam os órgãos internos, a fossa escafóide representa os membros superiores, a cruz superior e inferior da anti-hélice representam os membros inferiores e a anti-hélice representa a coluna vertebral.

O estímulo da orelha aumenta o tônus vagal e regula os sistemas cardiovascular, respiratório, gastrointestinal e endócrino.

Este estímulo pode diminuir a frequência cardíaca e a pressão arterial e acelerar o fluxo sanguíneo e a variabilidade da frequência cardíaca (marcador que afere o equilíbrio entre o sistema nervoso autónomo, o simpático e o parassimpático).

DOS MATERIAIS Á TÉCNICA

Várias formas de estímulo podem ser usadas como agulhas, sementes, laser, moxabustão, eletroestimulação, acupressão e sangria.

Os pontos de auriculoterapia podem ser estimulados por:

- sementes (mostarda ou vacaria),

- agulhas de acupuntura (facial ou sistémica),

- agulhas semipermanentes,

- pellets (esferas) magnéticas,

- eletrofototerapia (laser ou estimulação elétrica nervosa transcutânea - TENS)

- pelos próprios dedos.

No caso das sementes e esferas, estas devem ser estimuladas de três a quatro vezes por dia, até o local tornar-se sensível, com trocas semanais mediante a reavaliação do caso.

Um tratamento que varia entre 20 minutos a 1 hora pode atuar sobre várias condições de saúde.

AÇÕES, INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES

A auriculoterapia é uma técnica usada para diagnosticar e tratar disfunções físicas e psicossomáticas através do estímulo de pontos específicos localizados no pavilhão auricular.

AÇÕES E INDICAÇÕES

A auriculoterapia tem uma forte ação antinflamatória e analgésica sendo indicada no tratamento de vários tipos de dor, como dor de dentes, dores músculo-esqueléticas, dores no pós-operatório, enxaqueca, dores relacionadas ao cancro e também dor relacionada à analgesia.

A evidência da sua eficácia é comprovada em condições patológicas tais como: cefaleias, tonturas, inflamação articular, dores na coluna vertebral, dor reumatológica, dor decorrente de tratamentos oncológicos, fibromialgia, neuralgia do trigémeo, náuseas, hipertensão, asma, rinite, adição de substâncias nocivas, alergias, recuperação pós-operatória.

PREVENÇÃO E MANUTENÇÃO DA SAÚDE

A auriculoterapia pode também ser usada para a prevenção e manutenção da saúde através da ação nos sistemas imunológico, endócrino, nervoso, digestivo e outros, sendo indicada para problemas físicos e psíquicos.

Esta prática deve ser executada por um profissional habilitado. Inclui profissionais das Terapêuticas não Convencionais com cédula profissional e outros profissionais de Saúde com formação básica e avançada na área.

O DIAGNÓSTICO PELA ORELHA

Da mesma forma que processos patológicos internos, instalados ou que ainda não se manifestaram, podem ter representação na orelha sob a forma de sinais como coloração e textura, ou através da alteração da sensibilidade no respectivo ponto quando pressionado, podendo ser confirmado por avaliação da condução elétrica em determinado ponto por intermédio de um detetor específico para esse efeito (Ohmímetro adaptado). Desta forma, a avaliação auricular é importante no diagnóstico da doença ou da predisposição para o aparecimento de um determinado processo patológico.

CUIDADOS E CONTRAINDICAÇÕES

Durante o estímulo podem ocorrer sintomas de mal-estar como fraqueza, tonturas, desmaio, hipotensão, entre outros, especialmente em pessoas que se encontrem em estados de debilidade ou fraqueza geral, sendo recomendado nestes casos estímulos mais suaves.

O estímulo de alguns pontos é contraindicado em grávidas, especialmente pontos relacionados ao trato urogenital e sistema hormonal.

Pessoas que apresentem no pavilhão auricular eczema, feridas, úlceras ou lesões, não se recomenda a aplicação desta técnica.

O uso de algumas técnicas também pode ser contraindicada em algumas condições como o estímulo elétrico para portadores de pacemaker ou as técnicas de sangria em distúrbios de coagulação.

DESCOBERTAS CIENTÍFICAS E AVANÇOS NO OCIDENTE [INFORMAÇÃO ADICIONAL]

As descobertas mais importantes no campo da auriculoterapia aconteceram a partir dos estudos do Dr. Paul Nogier e da relação dos efeitos reflexos da auriculoterapia com o sistema nervoso, explicados pela origem embriológica de cada tecido. O pavilhão auditivo é uma das poucas estruturas corporais que têm representação dos três tecidos embriológicos primários, e cada parte inervada por ramos distintos faz relação, segundo o Dr. Nogier, com áreas reflexas específicas. A inervação de pares cranianos como o nervo Vago, o Trigémeo, Facial e Glossofaríngeo, assim como de ramos do Plexo Cervical em partes específicas da orelha, estariam ligados a características de cada zona descrita pelos mapas de localização dos pontos se relacionarem com uma área reflexa específica.

Os resultados clínicos obtidos com o uso da auriculoterapia estimularam pesquisadores de diversas partes a buscar tanto os mecanismos de ação da auriculoterapia, quanto a propor tratamentos que pudessem ser avaliados em relação à sua eficácia, em relação a diversas patologias. Assim sendo, houve a necessidade de estabelecer protocolos terapêuticos, que pudessem ser aplicados em ampla escala e mensurados para verificação da eficiência da auriculoterapia.

Protocolos como NADA protocol (National Acupuncture Detoxification Association protocol), BFA (Battlefield Acupuncture) e ATP (Auricular Trauma Protocol) surgiram como uma forma de padronização de tratamentos com benefícios tanto para a disseminação do uso da auriculoterapia, quanto para a possibilidade de reprodução terapêutica, o que facilita a o seu uso em estudos para pesquisas.

USO NO ABUSO, NA DOR E STRESS PÓS TRAUMÁTICO

O protocolo NADA consiste no uso dos pontos: Pulmão, Fígado, Rim, Shenmen e Simpático, com o objetivo inicial de tratar dependentes químicos em processo de desintoxicação. Battlefield Acupuncture (BFA) propõe o uso dos pontos Tálamo, Giro Cingulado, Omega 2, Ponto Zero e Shenmen para tratamento da dor, com o objetivo de uso em zonas de conflito e campos de batalha. Auricular Trauma Protocol (ATP) consiste no uso dos pontos: Master Cerebral, Amígdala, Hipotálamo, Hipocampo, Insula, Vago, Ponto Zero, Shenmen, como uma variação do protocolo NADA para tratamento de traumas psicológicos, como o Transtorno de Estresse Pós-traumático.

Os trabalhos de estudo e pesquisa em auriculoterapia continuam a ser alvo de estudo por parte da comunidade cientifica que continua a surpreender-se com o potencial terapêutico que tem vindo a ser apresentado com cada vez mais pesquisas de maior abrangencia e melhor qualidade.

VANTAGENS COMPARADAS A OUTRAS TERAPIAS

O baixo custo, a facilidade de aplicação e por ser um recurso não-farmacológico são uma grande vantagem para o uso e a propagação da técnica.

Indicações muito vastas

Efeito rápido

Fácil utilização e aprendizagem

Económica e não invasiva

Poucos efeitos secundários

Permite diagnóstico energético

Prevenção de patologias

d) e) Regiões anatómicas do Pavilhão auricular

f) Inervação do pavilhão auricular

g) h)Comparação da posição do feto invertido com as regiões anatómicas correspondentes na orelha

i) Avaliação da resistência elétrica dos pontos e tratamento por electroestimulação

j) Mapa adicional

k) Disposição dos pontos no Mapa auricular (com pontos Franceses – P. Nogier -, e Chineses)

Prof. Ricardo Picão Rodeia

Grupo de estudo de alunos do 1º Curso de Licenciatura em Acupuntura da ESSNorteCVP

- Carla Machado;

- Patrícia Nunes;

- Luíz Júnior;

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