
Estranhamente fui pedindo descanso.
A vida impulsiona-nos para uma luta desenfreada de poder, de domínio, de competitividade.
Estranhamente sinto a suavidade da noite, que nada mais é do que a paz em que me encontro.
Reconheço a importância do silêncio regenerado em cada um de nós. Reconheço que no começo não existia o significado das palavras, mas a atitude, atitude que se manifesta na integridade do nosso Ser.
Fomos perdendo valores. As nossas palavras passaram a ser apenas a construção de uma ideia mal definida, colada ao padrão em que me encontro… medos, culpas, raivas, inseguranças… Palavras de domínio eram também usadas para conseguir “pequenas” coisas, sem tão pouco importar o impacto que elas poderiam ter no outro e no mundo.
Em tempos de grandes mudanças, e a passar por uma situação pandémica mundial, é dada a cada um de nós a oportunidade de recolher aos nossos casulos e perceber a verdadeira representação da vida, da “nossa” vida, a importância de tudo aquilo que fomos construindo, a maneira como nos relacionamos com os outros, o reconhecimento das nossas atitudes em relação ao planeta.
Repensar, reorganizar, reestruturar. São as palavras de ordem!
O que quero para mim? Que mudanças quero ver acontecer na minha vida? E, quando falo em minha vida, falo em tudo o que me rodeia.Não somos seres isolados, mas sim produto de um Todo, onde as nossas atitudes vão determinar o nosso amanhã, e a nossa responsabilidade social determina a vontade de contribuir para a construção de um mundo melhor.
Ousha Maria
Nos dias futuros iremos tomar decisões, decisões essas que se irão manifestar em resultados e, agindo de acordo com o que sentimos, em perfeita sintonia com o que pensamos é saber colocar na prática as nossas ações, que nos irão conduzir a uma realização pessoal inserida na auto-realização integrada com o outro.
Podemos até caminhar lado a lado com alguém, um relacionamento, um amigo, mas nada nos garante que exista segurança. É o outro que nos dá essa segurança? Ou sou eu que crio a segurança em mim e confortavelmente me sinto bem onde quer que esteja?
É pelos relacionamentos que nos construímos, apartir da relação com o outro, que devia ser o motor do nosso trabalho interno. Mas a insegurança é tão grande que constantemente, criando as nossas próprias dependências, deixamos de lado a nossa capacidade evolutiva.
Ao sermos responsáveis pelas nossas ações, embora possam parecer inseguras no início, elas vão-nos levando a criar independência emocional, levando-nos assim, a descobrir a nossa grande capacidade de Seres Humanos individualizados dentro de um coletivo.
Reconhecer a nossa responsabilidade numa sociedade em construção, é respeitar a integridade de todo o nosso Ser.
Ao nos libertarmos da matéria, das formatações impostas pela sociedade e pela nossa educação, ficamos disponíveis para uma visão mais ampla e mais alargada para a concretização dos nossos sonhos, que embora sendo sonhos eles ficam com a capacidade de se materializar.
Trabalhamos por um reconhecimento material e esquecemos-nos que como diz o poeta de que “O sonho comanda a vida” . Muitos de nós irão ter a oportunidade de analisar o que realmente amam fazer, podendo assim transformarem-se em seres auto-realizáveis e felizes.
Maria Ribeiro
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