Alberto Andrade

FENG SHUI, Humanizando os Espaços!

Por Alberto Andrade em Julho de 2020

São vários os ensinamentos que temos recebido do Oriente. Ensinamentos milenares, onde o Homem humildemente analisava a sua inter-relação com a Natureza e o Desconhecido; a trilogia Terra – Homem – Céu era a base de todo o estudo.

O mesmo se passou com o Feng Shui (para os puristas, a pronúncia correcta é de Fong Xuei), originário da China, onde surgiu há 4 ou 5.000 anos, na montanhosa região Norte, regularmente fustigada por ventos e chuvas fortes. Embora seja hoje conhecido pela sua utilização na análise de habitações e locais envolventes, a sua origem não se deveu à casa dos vivos, antes às dos falecidos. Com efeito, a adversidade dos elementos provocava, regularmente, queda de árvores, deslizamento de terras, inundações, para falar dos mais frequentes, e com eles a destruição de diversas sepulturas. Era convicção generalizada que essa destruição era um castigo e que o infortúnio a ela associado se prolongaria por três gerações.

A análise da Terra e do Céu, e a influência que estes exerciam sobre o Homem, fez surgir os mestres de uma nova Ciência e Arte, a que deram o nome de Feng Shui, significando, literalmente, Vento e Água. É, simultaneamente, ciência e arte, já que recorre a instrumentos e cálculos para estabelecer diagnósticos, mas não descura a criatividade e a intuição.

Não foi, pois, de estranhar que o Yin Feng Shui, Feng Shui que determinava a melhor localização das sepulturas, evoluísse para o estudo das habitações dos vivos – Yang Feng Shui. E foi este que chegou até ao Ocidente, ficando conhecido como Feng Shui, ciência e arte que estuda, analisa e harmoniza toda e qualquer construção onde exista vida humana.

De igual forma, os bons resultados que o Feng Shui obtinha nas montanhas do Norte da China, fez com que este se deslocasse para Sul, para as planícies. Todavia, a inexistência das referências orológicas, levou a que se desse predominância aos pontos cardeais. Ficaram, desta forma, definidas as duas grandes escolas: a das Formas (baseada na orologia) e a da Bússola (assente nos pontos cardeais).



O Feng Shui actual utiliza os conhecimentos das duas Escolas e os princípios a elas associados:

- Yin e Yang

- I Ching (sobretudo com os seus oito trigramas)

- Os 5 elementos

- Os 5 animais sagrados

O Yin e Yang, a cujo símbolo damos esse nome, mas que correctamente se chama de Tai Chi Tsun, não é mais que o princípio da dualidade, do mundo em que nos movemos. Só conhecemos algo através da experiência do seu oposto: homem-mulher, dia-noite, calor-frio, cima-baixo, positivo-negativo, etc. Aqui convém chamar a atenção para um ponto muito importante, que é fazer a análise dos ensinamentos sem tomar as palavras ao pé da letra. Com efeito, a linguagem oriental é muito poética, carregada de simbolismo. Não há nada 100% positivo, ou 100% negativo. Há um movimento inerente a todos os seres, incluindo a Terra, que varia de intensidade ao longo dos dias, meses e anos. Há uma energia, que o Feng Shui e a cultura Chinesa denomina de Chi, mas é a mesma que o Prana, dos Indianos, ou o Ki, dos Japoneses, ou a Energia Universal, utlizada na linguagem ocidental, que permeia todos os seres e todos os espaços físicos. É esse Chi que o Feng Shui tenta equilibrar; a harmonia entre os espaços e a alma dos seres que nele habitam ou trabalham. Aqui chegados, convém recordar que “alma” vem do latim anima, -ae e significa sopro, ar, respiração, princípio vital. É esta energia que, de forma equilibrada, deverá ser dispersa pelo “vento” e retida pela “água”. É o Chi das pessoas e o dos espaços físicos que o Feng Shui visa harmonizar, proporcionando uma interacção saudável entre uns e outros, permitindo obter o melhor de cada um.

Todavia, convém ter presente que o Feng Shui não é uma panaceia para todos os males. A cultura Chinesa considera 5 áreas de influência para o sucesso na vida:

1- Ming (Destino)

2- Yun (Sorte)

3- Feng Shui (Ambiente)

4- Dao De (Virtude e Carácter), e

5- Du Shu (Educação e Esforço)

Daí que devamos considerar que o Feng Shui tem um papel importante no bem-estar das pessoas, mas não faz milagres. Ele é parte de um Todo, cujas peças mais importantes são o Homem e a Natureza.

Da minha experiência, constato que o mundo mudou bastante desde os primórdios do Feng Shui. Desde as formas das casas, que na China antiga eram maioritariamente quadradas ou rectangulares, até à “sopa” de energias em que estamos mergulhados nos tempos modernos, muitos factores contribuem para um mal-estar generalizado das pessoas. Outras ferramentas, como a Radiestesia ou a Radiónica, têm de ser utilizadas, de forma a conseguirmos uma leitura correcta dos ambientes.

Mas disso falaremos futuramente!

Alberto Andrade




ARTIGO SUGERIDO

A Criança e a Escola

A Criança e a Escola

Dora Gonçalves
Por Dora Gonçalves em Agosto de 2021
Tema Sociedade

Um  reinício de escola depois de tantos condicionamentos, merece uma nova atitude por parte dos educadores, ainda por cima porque é urgente para os ...
Ler mais